Segundo turno em SP: Russomano e Haddad

Foto da cidade de São Paulo

Segundo turno em SP: Serra fora

Há meses amigos me perguntam quem irá para o segundo turno da eleição municipal da capital paulista, a resposta que dou é sempre a mesma: Russomano e Haddad irão, enquanto Serra ficará de fora. Não tenho bola de cristal para fazer tal previsão, mas como tenho boa memória e sei utilizar a internet pude prever o resultado assim como fiz em 2008, antevendo que Alckmin não passaria do primeiro turno.

Existe uma chance da minha previsão estar errada? Claro que sim, mas não é o que a história recente das eleições paulistanas mostra.

Para entender melhor a questão fiz um apanhado das votações no primeiro turno que ocorreram desde 1996. Veja o quadro abaixo:

Ano

1o. Lugar

2o. Lugar

3o. Lugar

1996 Celso Pitta (44%) Erundina (22%) Serra (14%)
2000 Marta Suplicy (38%) Maluf (17%) Alckmin (17%)
2004 José Serra (43%) Marta (35%) Maluf (11%)
2008 Gilberto Kassab (33%) Marta (32%) Alckmin (22%

Sucessão com reprovação não costuma ocorrer

Em 1996, Celso Pitta teve 44% dos votos válidos no primeiro turno, estava vindo de uma prefeitura muito bem avaliada, com o aval de seu antecessor Paulo Maluf. Naquele ano Serra teve 14% e Erundina foi para o segundo turno com Pitta ao bater 22% dos votos.

A administração de Pitta foi desastrosa e seu sucessor, Maluf, não conseguiu passar de 17% na eleição do ano 2000, mesmo assim foi ao segundo turno contra a petista Marta Suplicy (que obteve 38% dos votos), deixando Geraldo Alckmin em terceiro lugar por uma diferença de 8 mil votos.

Marta teve uma administração regular para ruim, mas pode concorrer a reeleição em 2004, indo para o segundo turno com Serra, que obteve 43% das intenções, contra 35% da petista.

Em 2008, Kassab, embalado por uma boa avaliação da gestão Serra-Kassab, conseguiu 33% dos votos, indo para o segundo turno com Marta (32%) e deixando o então ex-governador Alckmin amargar o terceiro lugar com pífios 22%.

Conclusão: no primeiro turno, quando uma gestão é bem avaliada, o sucessor consegue boa votação, fora disso, não chega muito longe. Serra, portanto, deve ficar entre 18% e 25% do eleitorado, estimo que chegará a 23%.

O PT tem voto cristalizado na capital

Desde 1996 o PT não tem menos do que 22% do eleitorado, e isso só aconteceu com Luiza Erundina, diante da aprovação de Maluf, quadro muito diferente do atual com Gilberto Kassab, detentor de um dos piores índices de aprovação da história da capital.

Marta Suplicy, enfrentando todos os problemas com sua imagem não teve menos que 32% dos votos. É fato que Lula era mais atuante, que não havia um julgamento do mensalão em processo de conclusão e que Marta, como candidata, é muito mais expressiva que Haddad.

Considerando a falta de traquejo social de Haddad, o enfraquecimento do partido por causa do mensalão e a saúde precária de Lula, é possível estimar que Haddad deve ficar entre 22% e 32%, eu imagino que ficará próximo de 25%, já que é mais forte que Erundina e encontra uma gestão frágil.

Política é circunstância. Em 2004 Haddad seria massacrado por Serra, mas hoje…

2008 é passado, mas o quadro é presente de forma inversa

Para quem tem a memória curta vale relembrar 2008. Naquele ano aconteceu um processo muito similar ao de hoje, mas com as figuras fora de seus lugares. Serra era o governador em exercício e Alckmin candidato a prefeito pelo PSDB.

Para que Alckmin fosse candidato houve uma disputa interna no PSDB, assunto para outro artigo, mas o fato é que boa parte do partido estava com Kassab e “boicotou” a campanha de Geraldo.

Desta vez, para que Serra fosse candidato, aconteceu um fato raro: eleição prévia no PSDB. Serra venceu com o apoio de 52% dos delegados do partido, o que é muito significativo. Na prática significa que quase metade da base do partido não o queria como candidato.

Repetindo 2008, parte da militância tucana apoia o Chalita, parte apoia o Russomano e ainda há quem apoie Haddad.

Assim como Kassab, Russomano está tendo dificuldades em se mostrar como candidato a um cargo executivo, mas tem a seu favor a experiência como figura pública, a gestão fraca do prefeito atual, a rejeição recorde de José Serra e o sentimento popular de renovação.

Levando também em consideração que tem pontos negativos  a ser explorados, não tem apoio de grandes nomes e ser o “candidato alvo” dos adversários, Russomano deverá obter algo entre 30% e 34% dos votos, aposto em 31%.

Agora é esperar pouco mais de uma semana e conferir se acertei, se interpretei mal a história ou se um fato mágico aconteceu.

Até mais!

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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  1. PT erra a mão em confrontar Russomano - Pérolas Políticas - 02/10/2012

    […] dos números históricos apontarem que Serra não irá ao segundo turno, há uma chance de ser ele o escolhido para disputar a prefeitura, caso Haddad tenha votação […]

  2. Experiência e força partidária disputarão segundo turno em São Paulo - 26/10/2012

    […] eu havia feito uma previsão que o segundo turno em São Paulo seria disputado por Russomano e Haddad. Acertei apenas 50% do palpite: Fernando Haddad mostrou que, mesmo em época de vacas magras, o PT […]

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