Renan Calheiros é a Geni da vez

Bastou sair a decisão do senado que definiu Renan Calheiros como presidente da instituição e as rede sociais foram inundadas com ofensas e manifestações de repúdio. Mais de 300 mil assinaturas virtuais foram feitas contra Renan e mesmo assim, seus colegas o elegeram com ampla margem para o segundo colocado.

O ocorrido é um ótimo indicador, pena que a maior parte da população não sabe escrever um “o” com um copo quando se mete na política e acaba deixando o problema essencial para tratar somente aquilo que vem à tona.

Vamos aos fatos. Renan, eleito democraticamente para o cargo de senador, concorreu à presidência do senado contra outro senador, também da base aliada ao governo Dilma e também eleito democraticamente. Quem o escolheu foram outros senadores, todos eleitos democraticamente. A eleição dentro do senado também obedeceu a critérios democráticos na equivalência dos votos.

Se não fosse Renan ou seu concorrente, poderíamos ter Collor, Kátia Abreu ou qualquer outro para presidente do senado, o método seria o mesmo.

Renan não é melhor do que qualquer outro senador, e para seus detratores tenho uma triste notícia, ele também não é pior do que os demais.

Certa vez tive uma conversa com um comunista, daqueles com carteirinha e tudo, que me abriu os olhos para uma verdade dura: não há o indivíduo sem a circunstância. Durante a faculdade de direito eu já tinha notado isso, mas a ficha não tinha caído.

Em uma aula de direito penal me recordo do professor dizendo que qualquer um poderia ser um assassino, em tese, todos somos homicidas em potencial. Para cruzarmos a linha da razão precisamos ter um motivo, meios e a oportunidade.

A eleição de Renan não é um problema individual e nem deve ser tratada como. É uma condição de grupo. Faça uma breve análise sobre o meio político e verá isso.

Se discordarmos de um indivíduo, o problema é com ele. Se discordarmos da maioria de um determinado grupo, o problema está conosco.

Essa lógica também acontece com os erros de qualquer outro grupo. Em empresas, por exemplo, uma demissão é sinal de que um indivíduo não se adequou ao grupo, uma série de demissões é sinal de que a empresa precisa rever a sua política de contratações e também o seu responsável pelo departamento de recursos humanos.

Na política é isso que temos. Precisamos rever o sistema como um todo. Precisamos por um fim ao voto obrigatório e ao voto proporcional. Temos que implementar o voto distrital e também um sistema de financiamento público para campanhas políticas. Seria interessante também aumentar o período eleitoral para 180 dias, obrigando os partidos a indicar seus representantes com uma antecedência maior.

Um conjunto de medidas como esse poderia mudar o perfil dos eleitos, o que temos é fruto do que produzimos.

Após ler muitas manifestações contrárias a eleição de Renan me veio alguns questionamentos. Se tanta gente assim não o queria e, provavelmente deve ter cumprido com sua obrigação e indicado algum candidato de sua preferência para o senado, será que essas pessoas incomodadas se lembraram de pressionar seus preferidos para não optar por Renan?

Quantos ligaram para os seus senadores antes da eleição? Quantos enviaram e-mails com mensagens de repúdio? E o pior, quantos lembraram em quem votaram para o senado?

Não podemos generalizar, mas não precisa ser sensitivo para saber que a maior parte dos descontentes não se manifestou como deveria.

Enquanto isso, vamos continuar atirando pedras na nova Geni.

Até mais.

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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