Investidores do Banco Cruzeiro do Sul em mais um problema

Banco Cruzeiro do Sul - Luiz Octávio Índio da Costa

Não é de hoje que as liquidações de bancos com problemas de crédito, através do Banco Central, se encontram sob suspeita. A bola da vez é o Cruzeiro do Sul que, na próxima sexta-feira, terá a sua carteira de cartões consignados leiloada.

Quando o banco controlado pelos Indio da Costa teve sua intervenção anunciada, pode-se observar que o Banco Central tratou a questão com significativas diferenças do ocorrido com o Banco Panamericano, conforme matéria de Miriam Leitão.

Até mesmo no prazo para liquidação do Cruzeiro do Sul houve controvérsia, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deu por encerrada a possibilidade de venda do banco bem antes do prazo legal, que tem 180 dias como padrão, podendo obter mais 180 dias caso o controlador solicite, como acabou de acontecer com o Banco BVA.

Outro ponto curioso é o fato do FGC, que é uma instituição que funciona como uma espécie de seguro para correntistas pago pelos bancos, querer estar na lista de credores do Cruzeiro do Sul, que estima-se ter pago anualmente cerca de R$ 20 milhões ao fundo para assegurar suas aplicações.

O estranho lucro obtido pelo banco durante seu período de intervenção também é curioso. Entre setembro e dezembro de 2012, período em que supostamente não deveria haver operações, o Cruzeiro do Sul declarou lucro de mais de R$ 300 milhões. Por solicitação do liquidante, o Banco Central não autorizou uma auditoria externa.

Leilão dos cartões de crédito do Cruzeiro do Sul em baixa, azar dos investidores

Mais um capítulo confuso se abre na próxima sexta com o leilão dos cartões de crédito consignados. A carteira tem pouco mais de 300 mil cartões e o lance inicial é de R$ 350 milhões.

O que está sendo leiloado é o crédito dado aos correntistas, daí o alto valor do leilão. Contudo, uma parte importante do negócio está indo de brinde: o custo de aquisição do cliente.

O custo aproximado para a aquisição de um cliente dessa modalidade de negócio é especulado em cerca de R$ 300,00. Se levarmos isso em consideração, ao menos, R$ 100 milhões podem estar indo para o ralo.

Em uma operação similar, o Bradesco comprou a operação da American Express no Brasil por cerca de R$ 1 bilhão, o que dá algo próximo de R$ 800,00 por cliente.

Claro que o custo de aquisição de um cliente AMEX é superior ao padrão, contudo, ao desvalorizar o ativo do Cruzeiro do Sul, o FGC está indo contra o objetivo principal: captar recursos para quitar os débitos com os credores. Há ainda mais um porém, além de valorar a carteira abaixo do esperado, foi designado um leiloeiro oficial que deverá receber 5% de todo o valor pago, ficando próximo de R$ 20 milhões em uma só operação.

Ao que parece, assim como aconteceu com os investidores do Bamerindus, muita gente vai ficar com o chapéu na mão.

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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