House of Cunha tem reviravolta e momentos dramáticos

Após ter afirmado categoricamente em CPI que não tinha contas no exterior, Eduardo Cunha se mostrou “surpreendido novamente” ao ser informado pela justiça da Suíça que tem sim, não só uma, mas quatro contas no país.

Por um ato de “coincidência”, o valor nas contas bate com o informado por um dos delatores da operação Lava Jato.

Mesmo assim, Cunha persiste na ideia de continuar na presidência da Câmara e diz a todos que não renunciará.

No núcleo humorístico do seriado, Dilma dá uma brilhante entrevista em que afirma sua pretensão de estocar vento. O que faz especialistas de energia, e qualquer pessoa comum, se perguntarem se ela está no gozo pleno de suas faculdades mentais.

Um momento dramático marcou a semana para o governo. Depois de tentar isolar o relator do TCU — iniciativa que obviamente se mostrou um desastre — o governo Dilma teve suas contas rejeitadas pelo órgão.

Nesse meio tempo, além da derrota colossal que provavelmente dará mais margem aos pedidos de impeachment, mesmo uma coisa não tendo nada a ver com a outra porque impeachment se pede por atos no exercício do mandato atual, o governo está apanhando igual estuprador na cadeia, só que dentro da Câmara dos Deputados.

O mérito da tragicomédia, neste caso, se deve ao líder do PMDB, Leonardo Picciani. Sem pedir a mão da noiva aos pais, Dilma tentou costurar acordo com o PMDB, nas costas de Temer, Renan e Cunha, falando diretamente com Picciani.

Contrariando a lei de Tiririca, aquela em que pior que está não fica, Dilma entregou ministérios para o PMDB, ou o que ela ingenuamente achava ser o PMDB, para ter apoio nas votações.

Com Temer de fora para oficializar a união desse casamento arranjado, pois já havia lhe tirado da função de bombeiro político, Dilma fez com que as famílias entrassem na igreja já em pé de guerra, mas mesmo assim insistiu em prosseguir e colocar os vetos presidenciais na pauta da Câmara.

O problema em presentear caciques com ministérios é que eles, os ministérios, nunca serão numerosos o bastante para a quantidade de caciques que há em Brasília, o que obviamente provoca gosto ruim em quem fica de fora.

Parte do PMDB se sentiu como cachorro que cai do caminhão de mudança e a família desiste de buscar. Os partidos aliados viram a distribuição proposta por Picciani, em que tudo é do PMDB e nada para seus aliados, como um ato de desapreço.

Em resposta ao então líder, desistiram de baixar as calças e mostrarem as nádegas, mas fizeram algo ainda pior, jogaram água na maionese que Picciani tentava fazer virar: romperam o bloco que dava sustentação ao governo.

Se Cunha não estivesse tão ocupado com seus problemas, teria se virado do avesso de tanto rir. A indicação de Marcelo Castro para ministro da saúde foi sim um recado grosseiro de Picciani. Ele sabia que entre Cunha e Castro havia animosidade. Foi Castro que não deixou a reforma política ser temperada do jeito que Cunha queria.

Os vetos que o governo desejavam que fossem mantidos não conseguiram sequer serem votados. O PMDB dividido e sem aliados não consegue impor a presença mínima para que algo seja colocado em votação. Enquanto os deputados estavam sendo chamados para votar, grilos eram ouvidos no plenário.

Há outro elemento que também está complicando o ambiente: Dilma vetou as doações de empresas para campanhas políticas. O veto só é bem visto pelo PT, pois estima-se que possui grande quantidade de recursos e não precisaria de doações, o que o colocaria em vantagem perante os demais partidos.

Mais uma vez Dilma não soube ser política. Se não tivesse vetado as doações, provavelmente os vetos do aumento do judiciário já teriam sido aprovados e o clima da economia começaria a dar sinais de melhora.

Ao decidir fazer queda de braço com o Congresso e negociar com Picciani, Dilma sentiu o mesmo gosto amargo que seu adversário de eleição, Aécio Neves, teve quando casou e mesmo assim não conseguiu levar mais votos dos eleitores.

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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