Mesmo com acertos, por que Haddad é tão mal avaliado?

A avaliação da população sobre a gestão de Fernando Haddad, na prefeitura de São Paulo, não poderia ser mais contraditória. A um ano da eleição a rejeição ao seu mandato é de 49%, sendo que apenas 15% o aprovam.

O que acontece de errado com o paulistano? Por que ele avalia tão mal o visionário prefeito?

Os defensores de Haddad dirão que as demais pessoas estão incomodadas com as mudanças que o prefeito fez para melhorar a vida na cidade, mas que esse mal estar é passageiro, daqui 10 ou 20 anos se fará justiça e ele será aclamado.

Pode ser verdade. Se temos uma estátua do Borba Gato, por que não haveríamos de ter uma de Fernando Haddad, o paladino das bicicletas e dos corredores de ônibus?

Ironia à parte, há um motivo bem claro por trás dos números pífios da gestão: a intransigência do prefeito.

A forma de governar de Haddad é uma afronta ao cidadão, mesmo que seja para o bem dele.

Como um mandato de quatro anos o prefeito quer deixar sua marca na cidade, não importando se a vontade dos munícipes é ou não respeitada. O diálogo com a sociedade, que deveria ser priorizado, praticamente não existe.

O cidadão acorda e descobre que pintaram uma faixa para ciclistas na porta do seu comércio, o outro agora enfrenta um trânsito monstruoso enquanto vê faixas de ônibus às moscas, um terceiro tenta chegar a um hospital na Av. Paulista e a encontra interditada. Três exemplos do porque Haddad vai mal.

No caso do Uber, assim como Eduardo Paes no Rio de Janeiro, Haddad também foi covarde e sucumbiu à máfia dos alvarás. Se qualquer cidadão bem informado sabe que licença de taxista é individual e intransferível, como é que a prefeitura permite o comércio de alvarás e também empresas com centenas deles em sua posse?

Mas não se preocupe. O STF, dado que não tem motivação eleitoreira por trás, acabará dando parecer contrário as leis aprovadas nas prefeituras que proíbem o Uber de funcionar.

Lembro de outro governante como Haddad, seu nome provavelmente é de seu conhecimento: Fernando Collor de Melo, o ex-caçador de marajás, ex-presidente caçado e agora senador.

Quando assumiu, Collor também quis fazer história, e fez. Confiscou a poupança do cidadão e abriu o mercado para os importados. Tudo de uma vez só.

O que aconteceu? Pudemos comprar aparelhos eletrônicos e carros melhores, o que foi ótimo. Por outro lado, muitas famílias perderam tudo o que tinham e passaram a dever o que não tinham. A indústria da construção civil foi a mais afetada.

Graças a Collor deu-se início a era das super construtoras. Somente elas, as gigantes, conseguiram sobreviver no período. Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Odebrecht e outras tinham obras públicas para sua manutenção. As que dependiam da venda de apartamentos e casas, quebraram.

Haddad também é visionário, assim como Collor. Está certo em querer favorecer o transporte coletivo, bem como, a inclusão de ciclistas na cidade, assim como Collor estava certo ao abrir o mercado brasileiro.

A questão é que os fins não podem justificar os meios, principalmente quando se trata da vida das pessoas.

Ao invés de ter arroubos ditatoriais, é preciso promover as mudanças de forma gradativa. Causando o menor dano possível.

As ciclofaixas são um bom exemplo. Primeiro Haddad saiu pintando tudo o que podia, melhor dizendo, mesmo o que não podia. Depois viu o estrago provocado em algumas regiões e removeu a marcação.

Hoje, há uma boa parte delas em péssimo estado de conservação. Os pedestres em parte dos percursos perderam muito espaço. Coisas que poderiam ser previstas se a prefeitura tivesse adotado um projeto piloto. Mas, a vontade de ter seu nome marcado falou mais alto.

Acontece que o trânsito não melhora com corredores de ônibus, nem com bicicletas. Ele sabe disso. É uma pessoa com muito conhecimento na gestão pública.

Também sabe que a única forma de melhorar o trânsito na cidade é por meio de mudanças no zoneamento e da implementação de serviços públicos fora da área central, mas para isso seria necessário ter coragem acima do normal e aceitar que quatro anos de mandato seria pouco.

A ocupação da cidade se constituiu em uma época fabril, em que as indústrias estavam próximas às marginais e o tráfego das pessoas não passava pelo centro. Quando São Paulo começou a ter sua atividade industrial transformada em serviços, o caos começou.

Para acertar será necessário fazer uma grande revisão do plano diretor, demolir áreas inteiras, revitalizar outras e mexer em tudo. Mas isso não é fácil de explicar para o eleitor, melhor tentar vender a ideia que bicicletas e faixas de ônibus resolverão.

 

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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