Financiamento público para campanhas pode ser luz no fim do túnel

De tempos em tempos a política brasileira brinda seus cidadãos com escândalos envolvendo corrupção em algum dos seus níveis de poder. O que me intriga é a falta de percepção da população sobre as mudanças de origem e finalidade que está acontecendo nos esquemas.

A corrupção a serviço de projetos de poder

Foto de Brasília, a noite

Financiamento público de campanha pode ser luz no fim do túnel

Você já se perguntou porque há tanta corrupção no meio político? A resposta mais óbvia, porém pouco realista é de que os que estão no poder estão lá apenas para enriquecer. Bobagem pura.

Foi o tempo onde o mau governante conseguia desviar dinheiro de obras sem levantar suspeitas. Estamos em época de tribunal de contas da união, de ministério público atuante e de pregões eletrônicos. Claro que ainda é possível promover desvios, mas nada comparado a farra que foi durante a ditadura e os anos oitenta.

Vejo que é muito mais fácil enriquecer utilizando o tráfico de influência do que desviando dinheiro do erário público. Qualquer um que se sentar em uma cadeira de governador saberá, antecipadamente, de uma série de investimentos que serão feitos e poderá tirar vantagem disso, principalmente depois que sair do cargo.

Não é preciso ser um gênio para notar que, mais do que enriquecer, os maus políticos precisam se perpetuar no poder. Para isso é necessário vencer eleições e isso custa dinheiro.

Os “financiadores” estão mudando

Há alguns anos tivemos Fernando Collor (caso PC Farias), depois veio o chamado “mensalão” petista, o “Arrudagate” no Distrito Federal e mais recentemente, João Cachoeira e suas conexões.

Inicialmente quem financiava os maus políticos eram empresários que tinham algum tipo de interesse posterior em caso de vitória nas urnas. Empreiteiras, empresas de saneamento, fabricantes de asfalto e muitos outros apostavam alto para ter vantagens competitivas sobre concorrentes.

Devido as mudanças implementadas nos processos licitatórios e o aperto da fiscalização, os benefícios praticamente cessaram. Em cidades pequenas, ainda é possível ter privilégios, mas o grande filão acabou.

Com que intuito um empresário financia um político em sua campanha se não pode obter vantagens futuras? Sobram poucos dispostos a investir e as quantias são muito menores do que antigamente.

A falta de recursos vindos do mundo corporativo está abrindo uma lacuna perigosa e que pouca gente se deu conta. O que antes era financiado por empresários, em sua grande maioria, agora também é feito por criminosos com envolvimento em jogos de azar, prostituição, tráfico de drogas e outros.

É preciso por um basta nisso e o melhor caminho é pressionar o congresso para votar a reforma política e, dentro dela, abrir espaço para o financiamento público de campanhas. Não vai resolver 100% do problema, mas irá reduzir grande parte dele.

Faz muito mais sentido acabar com a necessidade de captação dos candidatos e poder fiscalizar os investimentos em campanhas com rigor do que ter a falsa percepção de que não pagamos a conta.

Outro ponto que poderia ajudar a resolver seria antecipar as definições dos partidos a respeito de quais seriam os candidatos. Como tudo é decidido nos últimos meses, não há fôlego para que o próprio postulante faça um trabalho de captação de doações com mais tranquilidade.

Estamos diante de um ponto onde algo deve ser feito com urgência.

Até mais!

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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