Brasil: sistema eleitoral deve ficar ainda pior

Em 12 de maio, o relator da comissão especial de reforma política, Marcelo Castro, entregou seu relatório sobre as mudanças no sistema eleitoral brasileiro. Segundo o que apurei, a maioria dos deputados, 17 deles, se colocaram a favor do sistema eleitoral majoritário, também conhecido por “distritão” (que nada tem a ver com o distrital). Outros 14 foram a favor do distrital misto e três se ausentaram de opinar.

Para um leigo ou alguém que não considera que o sistema eleitoral seja o responsável pela crise em que o Brasil se encontra, traduzirei o que essa mudança provocará.

Em um primeiro momento, o modelo que deve ir a votação tem pontos positivos, pois acaba com as coligações proporcionais e com o coeficente eleitoral, eliminando o efeito “voto em um, elejo outro”.

Contudo, criará circunstâncias ainda mais nefastas para o desenvolvimento do Brasil e para a vida dos brasileiros. Podemos esperar o pior daqui para frente.

O “distritão”, modelo adotado por poucos países, entre eles o Afeganistão, terminará de vez com qualquer tipo de ideologia partidária. Deixará as campanhas políticas ainda mais caras e manterá a falta de representatividade do político eleito.

Como entrarão apenas os mais votados, independentemente do partido, na prática, ao invés de termos cerca de 35 partidos no Congresso, teremos 513. Serão 513 deputados eleitos de forma individual.

Fora isso, o “distritão” fará com que apenas candidatos com muito dinheiro, não importando de onde ele venha, consigam ter a chance de ser eleitos. Ou seja, é uma porta aberta para candidatos apoiados por atividades criminosas.

Aqueles que não contam com essa característica podem se abraçar com causas como a religião, praticamente oficializando a bancada religiosa, dado a pulverização de fiéis em um Estado, mas sem força suficiente para eleger representantes em um distrito.

Em poucos anos teremos um Congresso ainda pior: mais conservador, menos representativo e eleito com recursos de origem suspeita. Não chegaremos ao Afeganistão, mas estamos mais próximos da Colômbia, Venezuela e Bolívia.

Parabéns aos que se calaram, ou aqueles que não aproveitaram a oportunidade para se manifestar diante dessa atrocidade política que se forma. Todos terão a oportunidade de enfrentar desafios ainda maiores do que os que já enfrentamos.

Até breve!

Ps. Caso se interesse, segue abaixo o áudio da minha defesa ao voto distrital na comissão especial de reforma política, convidado como porta voz do Movimento Acorda Brasil, o único movimento de rua a ser convidado à participar da discussão.

:: Atualização: em 25/05/15, Eduardo Cunha decidiu não considerar o relatório da comissão de reforma e colocar os temas para votação diretamente na câmara.

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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  1. Aplaudam o espetáculo. O ingresso será cobrado mais tarde. | Pérolas Políticas - 15/05/2015

    […] da República e assim resolver o problema do Brasil, deputados passaram pela comissão da reforma política o pior sistema eleitoral implementado no mundo, o Distritão (não é o […]

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