Dilma deverá ter dificuldades para vencer no segundo turno

Uma série de fatores que antes beneficiavam Dilma na campanha anterior, já não existem mais e tudo indica que, dependendo do jogo político adotado, a candidata petista corre grande risco de ter que deixar a cadeira nesta eleição.

Em 2010 Dilma enfrentou um candidato enfraquecido

A corrida para eleição presidencial começou em 2013 com a definição do candidato tucano, Aécio Neves, para a presidência do Brasil, contrariando a prática habitual do PSDB de segurar o nome até o último instante.

Em 2010, Serra só foi oficializado como pré-candidato em abril, atitude que lhe custou o apoio que faltou para que conseguisse se tornar presidente. Dilma, em contrapartida, de braço dado com Lula desde 2008, fazia a via sacra por todos os estados, conversando com governadores e agrupando apoiadores.

O resultado veio nas urnas: Dilma levou a presidência com 56% dos votos válidos, contra 44% de José Serra. Para quem não entende muito do jogo político, a diferença por ter parecido grande, 12%, porém, em se tratando de votos válidos, se o tucano tivesse crescido 6%, a petista teria encolhido 6%, o que empataria a eleição.

Cabe também lembrar que, José Serra não teve uma votação expressiva em seu estado, obtendo apenas 54% dos votos e levou a pior em Minas Gerais, estado de Aécio Neves, ficando com apenas 41,5%.

Via de regra, quem faz a campanha para o candidato a presidente é o palanque do candidato ao governo do estado. Em São Paulo, coube a Geraldo Alckmin defender Serra e em Minas sobrou para Antônio Anastasia fazer esse papel.

Alckmin já havia torcido o bico para a candidatura de Serra, e ainda amargava o gosto da oposição que o colega fez em sua candidatura para prefeito da capital paulista. Anastasia é cria de Aécio, outro que desejava sentar na cadeira principal e que contava também com o apoio de Alckmin.

Ambos apoiaram Serra, como manda o figurino, mas parecem não ter entrado na campanha para valer. O outro fator preponderante, fora a falta de empatia existente, foi a ausência de segundo turno tanto em São Paulo quanto em Minas, o que expos demais o candidato.

As estratégias utilizadas nas campanhas também contribuíram, em muito, para a ascensão de Dilma. A de Serra se mostrou confusa, primeiro tentando tirar o ar seco que o candidato possui, chegando a chamá-lo de “Zé” nas primeiras propagandas.

Depois defendeu que Lula teria feito coisas positivas, mas que Dilma não conseguiria mantê-las por falta de experiência, elogios que revoltaram parte do PSDB, que queria da campanha uma defesa as ações de Fernando Henrique Cardoso.

Serra não defendeu FHC por questões pessoais, ele imputa o seu primeiro fracasso como candidato a presidência por menosprezo do antecessor que não o blindou conta supostos escândalos que reduziram sua credibilidade.

Enquanto isso, o PT transformava a campanha em um filme dramático de superação, mostrando como Dilma enfrentou os preconceitos e manteve-se firme como gestora, sem abrir mão da família.

Utilizando muito bem o código de cultural brasileiro defendido por Clotaire Rapaille, especialista em consumo, a campanha petista mostrou uma mulher guerreira, carinhosa e flexível.

Os apoios dos vices também foram importantes, o PMDB, maior partido em número de candidatos eleitos, apoio Dilma quase que em sua totalidade, sendo que a principal ausência se deu com a instância regional de São Paulo, que se coligou com o PSDB.

Para fechar o caixão da campanha de Serra havia ainda mais um componente altamente explosivo: Marina Silva. Dona de 19% dos votos válidos no primeiro turno de 2010, decidiu por não apoiar nenhum dos dois candidatos no segundo. Justificou-se dizendo que não concordava com as propostas.

Agora, com todas as explicações citadas, você realmente acha que Dilma teve mesmo ampla vantagem na primeira eleição?

2014 não parece um bom ano para o PT

Diversos componentes indicam que o PT terá uma batalha árdua em 2014. Primeiro, a presença de dois fortes concorrentes e com bons apoiadores. Aécio goza de empatia com a população do sul e sudeste do Brasil, apesar de ser alvo fácil para guerrilha. Eduardo Campos conta com a ajuda de Marina Silva e grande popularidade no nordeste, região geralmente dominada pelo PT.

Lula já antecipou sua defesa à Dilma para garantir que ela não comece a campanha com o pé esquerdo, ou no caso, com o direito. Mas a verdade é que ele também já passou bastante tempo afastado do cenário político e talvez nem a sua presença consiga minimizar os golpes dos adversários.

Campos e Aécio estão costurando uma aliança há pouco mais de um ano. Publicamente se posicionam como aliados ao posarem para fotos juntos e se declaram contrários ao governo petista ao fazerem críticas contundentes.

É quase certo que quem cair fora do segundo turno apoiará o que ficou e, provavelmente, levará um bom pedaço dos 30% dos eleitores que anularam seus votos ou decidiram não ir às urnas. O número expressivo de votos brancos e nulos foram um claro indicativo de que Serra e Dilma não caíram no gosto de muitos.

O PMDB também é um problema de tamanho monumental. É um ótimo aliado, mas pode ser um adversário ainda melhor. Nos últimos anos tem recebido apenas sobras do governo petista. Você pode pensar que o partido tem vários ministérios, mas a verdade é que ele tem apenas ministros, pois a maioria dos cargos é reservado ao PT.

Vários líderes se mostram favoráveis a dissolução da parceria e ruídos para uma candidatura majoritária em 2018 se escutam há algum tempo. Não seria uma surpresa se surgisse uma aliança PSDB e PMDB para este ano, o que bagunçaria ainda mais o quadro, colocando Aécio como favorito.

Para Dilma, Aécio é o melhor adversário, é com ele que ela possui mais chances de vitória. Campos pode ser um problema, pois não tem a mesma rejeição que o tucano.

Se o PT conseguir segurar sua militância apaixonada, reduzirão os ataques para tentar levar Aécio ao segundo turno. Caso contrário ele pode perder relevância e facilitar a ida de Campos.

Em qualquer um dos cenários, Dilma não terá moleza e, dessa vez, as circunstâncias não estão a seu favor. Se nada mudar eu diria que ela perde com 46% dos votos válidos para Aécio e 42% no caso de Eduardo Campos chegar ao segundo turno. Contudo, muito pode acontecer até lá.

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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