Como o escândalo da Petrobras afetará as próximas eleições

Em nossa recente história democrática somam-se escândalos sobre a corrupção na política, mas nenhum outro expôs tanto as mazelas do poder como o recente caso da Petrobras. Delações premiadas, presidentes de grandes empresas envolvidos, rios de dinheiro público e o envolvimento de políticos de quase todos os partidos compõem o enredo dessa opera buffa. Os impactos que este caso terá no cenário político e nas próximas eleições começam a ser desenhados.

Campanhas: a trilha da corrupção

Em outubro de 2013, Oslain Santana — diretor de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal — deu uma entrevista contundente. Nela afirma que pelo menos metade da corrupção tem como finalidade o financiamento de campanhas eleitorais. Com toda certeza, informações para fazer tal afirmação, não lhe faltavam.

Cinquenta por cento das operações da Polícia Federal contra corrupção têm como pano de fundo financiamento de campanha. Quando você investiga um caso de corrupção, desvio de dinheiro público, vai ver lá na frente que tinha um viés para financiar campanha política. – Oslain Santana

O escândalo da Petrobras, ao que parece, é apenas a ponta de um gigantesco iceberg que deverá colocar empresários, políticos e agentes públicos na linha de fogo. Pelos indicativos, em breve será a vez do BNDES ser investigado e não demorará muito para que Correios, Caixa Econômica e outras instituições entrem nas investigações.

Das dez maiores construtoras do Brasil, cerca de sete estão envolvidas em alguma investigação. Praticamente todas “doaram” dinheiro para campanhas.

A Itália passou por um momento semelhante na década de 90, quando foi deflagrada a Operação Mãos Limpas, que culminou na extinção de parte dos partidos políticos e uma quase três mil prisões, com cerca de quatrocentos parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros.

Lá foram necessárias as criações de leis específicas para o combate à corrupção e de uma polícia especial para investigações que envolvem o poder público. Aqui tudo é capitaneado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

O escândalo anterior envolvendo políticos e campanhas, o chamado “Mensalão”, aliado com as manifestações de junho de 2013 impactaram a captação de recursos para eleições de 2014.

Manifestação em Brasília, 17 de Junho de 2013

Manifestação em Brasília, 17 de Junho de 2013

As campanhas majoritárias, para governos de estado e presidência, sofreram menos, contudo as de legislativo amargaram uma queda de receita entre 50% e 80%.

No Mensalão poucos políticos foram efetivamente presos e os que foram já estão com um pé nas ruas. As penas mais pesadas ficaram para os operadores, Marcos Valério é um bom exemplo, condenado a quase de 40 anos de prisão e uma multa milionária. Valério se calou com a garantia de que pegaria uma pena branda, mas a história tinha outros planos para ele. Agora, vendo-se abandonado pelos companheiros, decide que chegou sua hora de falar.

Coincidência ou não, o doleiro Alberto Youssef — desempenha a mesma função que foi de Valério no caso Mensalão — , preferiu colaborar antes mesmo de ser condenado.

O fato é que, “doadores” estão sendo investigados por corrupção ativa, formação de cartel e outros crimes e isso terá consequências imediatas no próximo cenário eleitoral. Que empresário quer ser envolvido, mesmo que indiretamente, com campanhas após saber que enfrentará dificuldades?

Provavelmente o congresso terá que correr com a reforma política que contenha elementos de financiamento público de campanha, estabeleça o voto distrital e coloque fim no coeficiente eleitoral.

Grandes nomes da política, que se elegiam com base em recursos somente, estão ameaçados de perderem suas cadeiras. Em um cenário em que o dinheiro está curto, compra de voto não parece uma boa solução.

Quem quiser sobreviver a este cenário caótico terá que voltar a fazer a política de bairro, conversando com as pessoas, fazendo-as entender que os objetivos são os mesmos. O problema é que os candidatos terão que vencer o desafio do descrédito. Com tanta corrupção escancarada, ficará ainda mais complicado receber o voto de confiança do eleitor.

O modelo tradicional não pega mais o eleitor

Novos políticos e lideranças acabarão sendo beneficiadas com o cenário, pois não enfrentam a rejeição histórica e, provavelmente, aquele que fizer um bom trabalho nos próximos dezoito meses acabará eleito. Sim, dezoito meses! Antes dessa crise moral e financeira bastava estar presente nos últimos seis ou três mês de uma eleição, porém, sem recursos, o prazo do trabalho deve ser ampliado.

Com menos dinheiro para pagar “militantes” e “investir” em parcerias, a internet acabará sendo o meio de comunicação mais trabalhado, pois consegue atingir o eleitor de forma segmentada, estabelecer a comunicação de mão dupla e com bastante velocidade. Só não dá para deixar para a última hora.

Até mais!

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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