A armadilha social da campanha de José Serra

Há cerca de um mês recebi um e-mail que tinha como origem um braço digital da campanha de José Serra para prefeito de São Paulo. Em teoria se tratava de um convite para uma rede social do candidato, contudo algumas coisas me chamaram a atenção e resolvi investigar mais a fundo a questão.

O uso de SPAM

Em primeiro lugar, eu não havia me cadastrado em lugar algum, tenho certeza disso. Porém, como já fiz parte de times digitais de diversas campanhas políticas, incluindo a dele para presidente em 2010, meu e-mail poderia estar em alguma lista e mesmo não tendo autorizado o envio, um simples deslize no trato das bases poderia me colocar como um dos destinatários…

O raciocínio estaria certo se não fosse por um pequeno detalhe: recebi o convite em um endereço que abrira nas semanas anteriores ao fato, o que impossibilitaria tal erro.

Enviei uma mensagem ao coordenador da campanha digital e recebi como resposta que meu endereço constava nas listas do PSDB, mas nenhuma justificativa sobre como ele foi parar lá.

Como prefiro confiar nas pessoas fui obrigado a crer que, em algum momento de loucura, originado por substâncias entorpecentes da qual nunca fui usuário, entreguei a conta de e-mail que tinha acabado de abrir para alguém da campanha e encerrar o assunto. Mas, o pior ainda estava por vir…

Rede social onde, cara pálida?

Já que, de alguma forma sobrenatural fui parar na base de e-mails do PSDB me vi no direito de fazer parte da tal rede social da campanha, oras! Quem sabe ali não encontraria um grande amigo de militância partidária ou ainda o dono de um crucifixo perdido que encontrei esses dias?

Como a finalidade de uma rede social é promover a interação entre seus usuários, fiz meu cadastro com toda boa intenção do mundo, ansioso para interagir com os demais colegas da rede.

Eis que me deparo como uma situação inusitada: uma rede social sem praticamente nada de social! A única coisa que podemos fazer é enviar mensagens para outros membros.

Por alguns momentos me senti muito estúpido… Como, depois de tantos anos trabalhando com comunicação digital eu não conseguira encontrar as ferramentas sociais disponibilizadas na rede?

Preferi creditar a falta da percepção das ferramentas à minha ignorância do que a falta de competência de quem fez o sistema. Provavelmente a culpa era minha de não achar o local certo para interagir…

Sai e resolvi entrar de novo. Afinal, poderia ser um erro do sistema…

Não, caro leitor, eu não havia errado. A rede é que nada tinha de social a não ser uma ferramenta de mobilização de seus cadastrados. Basicamente é um site para incentivar os que fizeram o cadastro à promover ações em ambiente digital.

Missões são dadas, quase que diariamente, como, por exemplo, curtir algum vídeo, replicar um tweet ou curtir uma publicação no Facebook. Conforme o usuário faz as ações ganha pontos e sobe no ranking.

Sou defensor do meio digital como plataforma de mobilização e acharia a ideia muito bacana se não fosse um ponto crucial: a falta de transparência em se apresentar a ferramenta como rede social!

Convite da "rede social" Serra Já!

Convite que recebi da “rede social” Serra Já!

Em uma campanha política o que mais se vende é a credibilidade de um candidato… Se começa assim, o que mais está por vir?

Até mais!

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About Marcelo Vitorino

Estrategista de comunicação digital, que atua como consultor para instituições públicas, privadas e de terceiro setor.

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